A Minha Travessia

Experiência pessoal

Dos 40 aos 45: quando as mudanças ganharam outra força

A minha travessia não começou num único dia. Foi-se tornando visível no corpo, no sono, na energia, na forma de pensar e na relação com o trabalho.

Retrato editorial de Lisbeth Oliveira em ambiente de luz quente.

Quando comecei a notar que alguma coisa estava a mudar

Por volta dos 40, comecei a sentir mudanças no meu corpo e na minha forma de pensar. Não houve um momento dramático que explicasse tudo. Houve sinais que se foram acumulando e que, a partir dos 45, se tornaram mais intensos.

Sentia-me mais cansada, dormia com mais dificuldade e tinha menos energia. Comecei também a notar mais dificuldade em manter a mesma clareza e concentração. Não uso estas mudanças para fazer um diagnóstico sobre mim própria. Partilho-as como aquilo que foram: sinais de que precisava de parar, observar e procurar compreender o que se estava a passar.

Continuava segura — mas já não fazia tudo da mesma maneira

Sempre fui uma mulher muito segura. Essa segurança não desapareceu. Continuo a reconhecer o que sei, o que construí e aquilo em que acredito.

Mas comecei a sentir inseguranças em áreas onde antes avançava sem hesitar. Passei a pensar duas vezes antes de algumas decisões. Parte disso tornou-me mais ponderada; outra parte obrigou-me a olhar para dúvidas que não estava habituada a sentir. Foi importante perceber que estas duas coisas podem coexistir: posso continuar a ser segura e, ao mesmo tempo, atravessar momentos de incerteza.

A experiência profissional que mudou o rumo

Depois veio uma situação profissional ligada à liderança que teve um impacto devastador em mim. Não foi apenas um episódio difícil no trabalho. Foi o momento que me fez perceber que já não queria continuar a fazer o que estava a fazer, pelo menos não da mesma forma nem à custa de mim própria.

Mudar de vida deixou de ser uma ideia abstrata. Tornou-se uma necessidade. Percebi que preciso de estar ligada a projetos com os quais me identifico, nos quais acredito e que não entram em conflito com os valores morais e éticos que defendo.

Porque o Peri&Positivas faz sentido para mim

O Peri&Positivas ganha sentido neste cruzamento entre corpo, identidade, trabalho e mudança. É um projeto onde posso transformar perguntas reais em informação organizada, reflexão e recursos que ajudem outras mulheres a compreender melhor a sua própria experiência.

Não pretendo que a minha história represente todas as mulheres. Partilho-a porque acredito que reconhecer a complexidade desta fase pode abrir espaço para conversas mais honestas — sem reduzir tudo às hormonas, sem ignorar o contexto de vida e sem apagar a experiência que já trazemos connosco.

Hoje, não procuro voltar a ser exatamente quem era. Procuro construir uma vida e um trabalho em que reconheça quem sou e aquilo em que acredito.

Esta é a minha travessia. A tua pode ser diferente — e merece igualmente ser escutada com atenção, contexto e respeito.